2° Quando a saudade começar a constituir o ser,
Não mais verá a verdade absoluta da existência do eu, mas,
Terá a necessidade, quase simbiótica, de encontrar o outro, para sempre.
Quando esse desejo nefasto tomar conta de seu coração já impuro,
De suas precedentes batalhas, perdidas e sem objetivo,
Verá que o erro é agora a base de sua obtusa vida,
E soluçando com o peito doendo ficará feliz ao ouvir a respiração.
-
Olho agora para os lados e encontro as janelas abertas,
Olho fixamente para o restante de sol que oferecem.
Penso; quando foi que a vida começou a responder as minhas divagações,
E quando foi que estes acordes começaram a me fazer sentido?
A incerteza da vida, para minha pessoa, tem tanta beleza quanto
Uma brisa reconfortante em uma tarde de amena de sábado.
Agora tenho que esconder mais uma vez meu ego,
Pois meu umbigo não vai agüentar mais uma palavra sobre mim.
-
Ele diz que necessita do outro para formar sua personalidade
Mas o outro também diz, que necessita dele para igualmente formar a sua,
Os dois cruzam a mesma porta, cumprimentam-se, olham simultaneamente para seus sapatos embarrados e não se olham mais.
Disse à moça, venha cá pequena. Venha me fazer feliz e somente isso,
Não lhe ofereço nada em troca a não ser minhas palavras distorcidas
E sei que gozarás com o entendimento das mesmas, pois, eu as faço
Somente para ti, assim, como para as outras em outros tempos.
Ela sorri, o beijando em suas duas faces, ao mesmo tempo em que fala
Raspando em suas duas orelhas:
Na esquerda em áspero tom; seja aquele que queres pensar que eu queira que seja, pois, tanto faz para nós dois.
Na direita em semblante aberto; seja aquele que nunca irá ser, mas seja e não o contrário.
Ele abre a porta e vai embora sem hesitar,
Deixando sua foto na mesa com flores da estação.
