quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

BlasfêmEA


    “Chega! Para de te desesperares pelo homem que sustenta teu estômago; a muito que este não é o caldeireiro de seu coração!”




         Observou, de forma prudente e solitária, os pássaros azuis que por ali voavam, agraciando ouvidos com seu canto de acasalamento.
         Com um inefável semblante de tristeza, que só posso atribuir culpa ao campo das cênicas, se postava suspirosa em seu mais feminino esplendor.
          Em conjuras silenciosas invocava seus demônios e outros mais, ou dos outros mais, ou somente do outro, nada mais.
         Fechava os punhos, fazendo de algozes suas unhas roídas; coitadas de suas lisas e brancas palmas, a estas só resta o peso da compunção.


       -

         Em meio a está guerra, travada entre sua mente e seu coração, o rosto, de branco a ruborizado, tremia em pequenas contrações, talvez por sentir o frio típico da ausência do calor.
         Odiava até mesmo o ar a sua volta e a este atribuía o epíteto de “pesado hoje”. Ali, em seu altar, batizava de desgraçados todos aqueles que se assemelhavam a aquele mísero prudente.

       -

         Sentenciava-se, a si mesma, duras penas de infinita duração e, não satisfeita do lastimável açoite, as cuspia do alto de sua cátedra à seus ouvintes ladinos e com fome de misericórdia e compassividades.
         Esta é agora a ré de uma juíza frívola e impetuosa; Sua sorte, talvez, derivada do que fora seu revés, seria que esta magistrada baseia seu julgamento no código dos conceitos efémeros.

       -

Eis aqui, a defesa de seu anátema:


“ Se amo, por que dói?
Se dói, por que o amor não me abranda?
Se não me abranda, por que ainda amo?
Se ainda amo, por que, desta vez, não me saem as lágrimas?
Se amo; o que amo?
Eu amo?

Não. Acho que só comecei a me odiar um pouco mais.”

Prates, f.

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